12/01/2021
Quais os desafios do uso de fungicidas na cultura da soja?
A soja é um dos grãos mais importantes para a agricultura brasileira. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima-se uma produção superior a 134 milhões de toneladas para a safra 2020/21. Por outro lado, diversos aspectos podem interferir negativamente na produtividade das lavouras de soja, sendo a proliferação de doenças no cultivo de soja os fatores prejudiciais mais comuns.

Uma das razões para o aumento do impacto negativo sobre a produtividade desse tipo de grão está diretamente relacionada com o surgimento de fungos comprovadamente resistentes à fungicidas. Pensando nisso, no post de hoje vamos apresentar alguns defensivos agrícolas utilizados na cultura da soja para manejo adequado de pragas. Confira!
 

Qual o papel dos fungicidas na cultura da soja?

O sistema de produção de grãos através de técnicas de lavoura trata-se de uma metodologia muito complexa, pois envolve uma série de fatores que contribuem positiva e negativamente nas propriedades agrícolas. Como já destacamos, as doenças são os principais causadores da redução na produtividade das regiões que produzem o grão.

Para minimizar este impacto negativo, portanto, o uso de fungicidas é indispensável. Isso porque o manejo de doenças é um passo chave para o sucesso produtivo. Apesar disso, deve-se levar em consideração ainda as alternativas estratégias aplicadas no manejo integrado.

Considerando a cartela de plantas cultivadas no país, os fungicidas representam 15% do uso de defensivos agrícolas. Afinal, as áreas produtoras de soja ocupam uma parcela considerável da agricultura brasileira, logo, a aplicação de fungicidas é bastante representativa.

 

Resistência aos fungicidas

Em via de regra, o manejo de doenças como a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola; Mancha-parda ou septoriose, causada pelo fungo Septoria glycines e a antracnose — que pode causar a morte dos embriões vegetais — o controle ocorre eficientemente a partir do uso de fungicidas.

Por outro lado, o uso intensivo desse tipo de substância nos últimos anos provocou o surgimento da ferrugem asiática que, por sua vez, tornou-se a principal doença das culturas da soja no Brasil. De rápida expansão e virulência, a Ferrugem asiática tem um importante impacto econômico, sobretudo em razão das perdas provocadas pela doença.

Além disso, há inúmeros indícios de que os fungos vêm se adaptando a sua sensibilidade em relação ao uso de fungicidas. Portanto, a resposta no controle natural do fungo passou a ser um desafio importante, já que isso implica em falhas de manejo e a manutenção de lavouras doentes e menos produtivas.
 

Como fazer o manejo de resistência à fungicidas?

Como destacamos anteriormente, o manejo de alguns fungos torna-se menos eficiente a partir do uso intensivo de alguns fungicidas. Nesse contexto, para diminuir a objeção no controle de tais pragas e potencializar os efeitos positivos desse tipo de produto, é possível seguir alguns cuidados básicos.

De acordo com o Comitê de Ação a Resistência Fungicidas (FRAC), as melhores práticas envolvem atividades como:

●    aplicar diferentes estratégias de utilização dos fungicidas para cada tipo de praga;

●    investir em fungicidas durante um período determinado e em doses pré-estabelecidas, sem deixar de lado os intervalos recomendados para cada aplicação;
●    adotar medidas preventivas e alternativas para o manejo e controle de doenças na cultura de soja;

●    observar as condições do clima correspondentes às recomendações de cada fungicida, no intuito de otimizar seus resultados, além de observar também os equipamentos que serão utilizados para aplicação;

●    fazer acompanhamento criterioso com responsável técnico (engenheiro agrônomo), de modo a estabelecer um monitoramento para basear a tomada de decisões conforme a necessidade de cada cultura, bem como em virtude das doenças presentes em sua lavoura.
 

Quais os métodos alternativos para controle de doenças?

Embora o uso dos fungicidas seja peça fundamental para o controle de doenças da soja, este não é o único método para manejo adequado de pragas nesse tipo de cultura. Isso significa que é possível utilizar estratégias alternativas de maneira integrada. Entre elas, podemos destacar as seguintes ações:

●    utilizar variedades diferentes de fungicidas mais resistentes e precoces;

●    investir no uso de sementes certificadas;

●    fazer o beneficiamento adequado das sementes antes da plantação;

●    estabelecer a rotação e/ou sucessão de culturas;

●    fazer o controle química a partir de defensivos agrícolas apropriados ao tipo de praga/fungo;

●    impedir o início da semeadura caso as condições ambientais não sejam favoráveis ao desenvolvimento seguro dos grãos;

●    fazer o plantio em espaçamento adequado, entre outros.

Concluindo, o uso de fungicidas na cultura da soja são indispensáveis para o manejo de doenças relacionadas à cultura. Entretanto, por conta da resistência de algumas espécies de fungos, é preciso estudar suas causas e origens, bem como aplicar formas alternativas de controle para ter uma lavoura mais eficiente, produtiva e rentável.

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